Bem-vindos!

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Um blog voltado à reflexão crítica, à divulgação de notícia, textos, livros interessantes... um blog para "bloggear". Aqui você encontra um pouco de minhas aulas, de meus pensamentos e minhas experiências cotidianas na UFSM e fora dela.

domingo, 31 de maio de 2009

Noites de Psicologia





De manhã escureço De dia tardo De tarde anoiteço De noite ardo” Vinicius de Moraes (1913-1980) Ontem à noite, cansados, mas bem acordados, conversamos sobre muitas experiências e argumentamos sobre possíveis caminhos que pudessem nos levar à criação de revoluções moleculares. O auditório estava repleto de olhos de lince, que nos espreitavam com aquela curiosidade sadia que os alunos têm, famintos pelos nossos argumentos sobre Saúde, corpo, cultura e identidade. Mesa posta, coração acelerado... Lá do alto, antes mesmo de minha fala, eu comecei a "namorar" aquela turma. E foi namorando que meu coração voltou a bater em seu ritmo normal (o coração de professora também dispara nervoso frente a platéias! O meu pelo menos...). H. abriu a Noite com sua voz suave e seu jeito doce de falar... a atmosfera e cada corpo "eu" foi se contaminando por aquela suavidade. Meu corpo sentiu que, de sua fala em diante, os dois corpos da Mary Douglas se uniram, não como um amálgama individual, como uma identidade invanriante, mas como um corpo em processo de singularização. Depois, foi minha vez. Eu tinha preparado uma fala, mas horas antes, desisti daquela idéia. Na articulação mental de meus pensamentos, me dei conta de que o discurso mais autêntico seria aquele que partisse do texto de meu próprio corpo. Corpo protagonista, e receptáculo ao mesmo tempo, da cultura. Um verdadeiro agente da cultura. Falei sem preparar, argumentei na espontaneidade; o texto floresceu a partir de minha carne. Não sei se minha fala realmente tocou alguém, mas eu não sai a mesma dali. Meu corpo foi atravessado pelas "almas, pelos espíritos que pertencem aos agenciamentos coletivos", para parfrasear Guattari. Depois, foi a vez do O. A cada palavra, eu pensava: "Meu Deus, eu realmente sou abençoada. Que sorte eu tenho de ter ao meu lado alguém tão especial, verdadeiramente humano, e tão sábio". O tempo voou e nem percebi, tão gostoso foi estar ali com toda aquela turma. Por que todos os seminários não podem ser assim??? Bom, como as noites foram feitas para dormir e as "Noites de Psicologia" foram feitas para acordar, seguimos dali para o Miau. Omar, Moisés, Camila, Carlise e Michele. (Ah, se eu pudesse levar todos os outros maravilhosos alunos junto comigo no meu bolso). Se no auditório a curiosidade e a suavidade nos alimentaram, no bar, metabolisamos nossas inquietações (claro que a cerveja e o vinho ajudaram no processo) e fomos produzindo modos de subjetivação originais. Foi um momento único, especial, pois voltei a ser aluna de meus alunos e senti que a minha incopletude humana estava sendo preenchida pelos saberes deles. Voltei para casa pensando em quanto é verdadeiro o poema de Guimarães Rosa:
“O importante e bonito é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam”.
Nunca mais eu serei a mesma!

Concursando

Primeiro Dia de Minha Vida em Santa Maria
Na rodoviária, estavam H, J,meu pai e Al. Al. me abraçou e disse que não ia me desejar boa sorte, pois não quer que eu passe no concurso. Quando entrei no ônibus, comecei a chorar. Um misto de nostalgia antecipada com incertezas humanas.
Fiquei num hotelzinho para lá de simples. Hotel Santa Maria. Bem no centro, pertinho da universidade. Mas limpo. Até internet tinha no quarto. Primeiro, levei medo do local, mas depois me acostumei.
Hoje, pela manhã, fui apé até a universidade.Na frentedo Prédio da antiga Reitoria fica o Colégio Marista. Me pareceu muito agradável. Quem sabe essa cidade é melhor do que penso que é...

A Prova Escrita
Fiz a prova hoje de manhã. Foi sobre grupos e instituições de saúde. À tarde, li a prova para todos. Algumas colegas vieram me dizer que adoraram minha prova, que tinha sido a melhor, que fui a única que focou bem e, ao mesmo tempo, abrangi diversas teorias.
Fiquei com medo, pois já ouvi isso antes e a banca não avaliou bem a prova... tomara que dessa vez seja diferente.
Bom, seja o que Deus quiser.
Há um lado meu que quer passar. Há um outro lado meu que não quer vir para essa cidade.

A Prova Prática
Um horror! Quase me desclassifiquei. O computador não lia meu pen. E eu havia ligado para a secretaria para confirmar se eu podia usar o pen. Não fosse um anjo, eu tinha rodado. A. gravou para mim a aula num cd.
Mas Freud explica. As ambivalências são capazes de gerar os mais incompreensíveis comportamentos, inclusive influenciar no funcionamento de pens!
Eu fiquei tão nervosa, mas consegui relaxar. O tema era meu "chão". No final, disse para eles que se eu passasse eu não poderia assumir pois eu teria que ficar em POA cuidando de minha mãe.
Saí de lá tranquila, nem sei como. Talvez por que os meus caminhos já estivessem traçados...

Milagres
Escrevi para o O. contando que minha mãe tinha falecido e que agora, se ainda tivesse vaga, eu poderia assumir. Dias depois, A. me liga, dizendo que tinha visto meu cv e que tinha tudo a ver com o que eles precisavam e que se eu pudesse assumir, ele pediria uma vaga para mim.
Minhas pernas tremeram.
Eu tremi toda. Chorei.
Será que minha mãe deu um jeito lá de cima para realizar o sonho dela???

Nomeação
Finalmente saiu minha nomeação.
Sei que você está aí em cima, olhando para mim, e sentindo-se como uma "missão cumprida". Queria que você estivesse aqui para partilhar bem de perto esse momento... para me ajudar com a Jess... para simplesmente estar ao meu lado... Estou feliz, mas muito ansiosa também. Um frio na barriga... Mas tudo vai sair bem. Tudo já está muito bem.
Espero que eu esteja a altura de assumir essa responsabilidade. Que eu possa sempre fazer o bem e trazer exemplos de bondade a meus futuros alunos do mesmo modo que você e o pai foram para tantas crianças. Obrigada, minha mãe. Siga em paz.


Apart Hotel Appel (25 de agosto de 2008).
Estamos aqui em SM, no . São 9h da manhã. A J e o H dormem. A J dorme como um anjinho, coisa mais lindinha. O H ronca. E eu não consigo mais dormir. Parece que sempre estou na tomada de 420 e ele na de 110.. Já queria sair, conhecer a cidade. Mas fico aqui, deitada, para não acordar os dorminhocos.
Os passarinhos cantam na janela. Acho que tem sol, mas o blackout da janela não me permite ver.
Ontem recebi um email do Prof. A. Ao que tudo indica, daqui a dois meses vou assumir.
Estou bem ansiosa e otimista. Acho que vou gostar daqui.
Ontem, quando chegamos, já estava noite. A cidade me pareceu outra. Enorme, bem desenvolvida. E até bonita.
A J disse impressionada que " a cidade é bem limpinha. Eu não achei que era tão limpinha!".
O primeiro lugar que fomos foi no Carrefour. Achamos lindo. Haviam me dito que era ruim, mas só a cafeteria é uma história, um monumento. E é limpo, diferente de POA.
Depois, fomos no Big. Passamos por uma avenida comprida, onde a gurizada se reune para tomar chimarrão.
Ficamos impressionados com a quantidade de pessoas no shopping tomando chimarrão. Nunca vi isso!
Acho que vamos ter uma vida bem boa aqui. Seremos felizes.
Deus está iluminando nosso caminho. Minha luz voltou a brilhar no caminho profissional. Ela estava adormecida para que eu pudesse cuidar bem de minha vilha.
Obrigada Meu Senhor, Minha Nossa Senhora e Santa Rita por tudo o que sou, por tudo o que tenho. Obrigada.
Quando o Henry acordou, mudamos de hotel, pois detestamos o Appel. Fomos para o Continental. Muito bom.
Almoçamos num restaurante no subterrâneo da Galeria Gaiger. Simples, mas bem temperadinho.

Insights da Jess

Charada
"O que vira a cabeça de um homem?" A resposta no livro diz: "O pescoço". Mas J. encontrou outra resposta: O "não".

Cor e pobreza
Na Redenção veio uma menininha vender pano de prato. Era loira de olho azul. J. me perguntou: "Mamãe, por que ela tá vendendo?".
Eu disse: "Para ajudar a mãe dela fazer dinheirinho.
Ela retrucou: "Mas mamãe, ela não é preta!"

Vovó
-Por que a vové não nos liga?
- Lá ´no Céu não tem telefone.
- Por que ela não vem nos visitar?
- O Céu é longe.
- Não é não, é bem pertinho. Eu tô vendo daqui!

Independência (30 ag0sto de 2008)
-Mamãe, quando eu for grande vou morar em Nova Iorque. E sabe que eu já sei até que mês vai nascer meus filhos?
- Quando?
- Em outubro.
- E eu vou te visitar sempre, porque eu vou querer te ajudar a cuidar dos meus netinhos quando eu me aposentar.
- Mas só quando eu te ligar!

Prova da Globalização - Ou americanização da Cultura Brasileira
Passando de carro pelo supermecado Big, Jess com 4 anos recém feitos, lê: - BIG.
Tempos depois, lê sua segunda palavra, escrita numa propaganda no teatro do DC Navengantes: - Na-ci-o-nal.

Sobre Instinto Gregário
- Filha, que legal, agora tu tem a tua própria classe!
- Classe!?
- Uma mesinha só para ti. Na Creare vocês sentavam todos juntos.
- Mas na Creare era mais bom.
- Por quê?
- Sentando junto a gente não sente tanta saudade...

Deixem nossas crianças serem crianças!
- Mamãe, o Cícero me pediu em namoro.
- O que tu disse pra ele?
- Nada.
- E tu quer namorar com ele?
- Não.
- Por quê?
- Por que eu quero brincar!

Aprendendo com o Mestre

Crítica Crítica negativista = uma espécie de doença ligada à competição. A crítica tem como fundamento ver a coisa mais completa. O bom crítico é aquele que vê a coisa e pergunta: "O que falta?" Ele se pergunta: "Posso dizer algo mais?" Crítica é um hábito, é uma cachaça.

Santa Maria

Semelhanças ente NYC e Santa Maria
Santa Maria tem um pouco de Nova Iorque... NY é a capital das Américas, SM é a capital dos Interiores... NY ferve em mistura de raças/etnias, SM também. Vejo negros, índios, mamelucos, árabes (muçulmanos) e ciganos. Vislumbro igualdade de raça também, ainda que tímida. Negros autoconfiantes, bonitos e bem situados financeiramente. O fluxo de vai-e-vem de tudo quanto é parte misturando suores, sorrisos e esperanças... O sonho de estudantes de todas as partes fermentando no coração de universidades poderosas... Columbia, UFSM e mil outras. New School, NYU... ULBRA, UNIFRA... Há lojas em cada suspiro meu; vendedores ambulante de tudo quanto é tipo. Amendoim torrado, cachorro-quente... uma mistura de cheiros e temperos. O calor que emana do solo, que parece derreter a alma, mas que a brisa taciturna logo nos faz esquecer. Ah, e a grande Salvation Army escondendo tesouros valiosos talvez aqui também tenha! Poderá haver reciclagens preciosas a serem desbravadas aqui nos sebos e brickes? Semelhanças, sincronias, metamorfoses... um mundo em si a se explorar. Que eu seja feliz aqui tanto quanto fui em NY!!!

Pequenas Indignações
Cadê as sinaleiras para pedestre em Santa Maria? Quem pára nas esquinas para o pedestre atravessar? Na avenida Nossa Senhora da Medianeira é um horror atravessar.
E o que são aquelas lombadas para os pedestres cruzarem? Tratem de colocar um tinta nelas, por favor!!!
Por que os azuisinhos demoram tanto? E às vezes nem param?
Por que Santa Maria é tão quente?

Dados de Santa Maria
POP: 270.000 hab; altitude: 151m; Distancia da capital : 320 Km
Algumas Fotos Panoramicas de SANTA MARIA - RS As fotos foram tiradas da sacada do 12o andar do hotel Itaimbe, um dos mais tradicionais da cidade. Santa Maria tem uma geografia muito irregular.Por isso pode-se observar somente uma parte da cidadenesta selecao de fotos.O lado sul da cidade é uma planicie.... o lado norte montanhoso (parte final da Serra Geral). Créditos para : http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=418739

Frases Famosas sobr NYC

I mean that I was in love with the city, the way you love the first person who ever touches you - Joan Dilon, American Writer

Necessidade Humana de Ar – de Ar-condicionado!

Não consigo entender as pessoas que não conseguem viver sem ar-condicionado. Gosto mesmo de ar puro. Quente, abafado, mas ar de verdade. Volta-e-meia tudo bem. É bom sentir aquele gelinho artificial. Mas sempre!? Mas pior que essa "necessidade humana" é a necessidade incondicional de ter algo só por que o outro conseguiu e você não. Que me levem o ar e me deixe o ar puro. Não preciso de nada que possa gerar inveja em outrem.

SOBRE RACISMO

Racismo é igual em todo mundo mesmo, muda um pouco sua forma de expressão, mas o conteúdo é o mesmo. Isso por que há muitas pessoas que não aprenderam a amar, nem tiveram a oportunidade de serem amadas. Viveram, no máximo, um pseudo-amor, e o pseudo-amor leva as pessoas a acreditarem que uns são melhor do que outros. E no seu olhar de superioridade, esquecem que por debaixo da pele todos somos muito iguais. As diferenças são tão insignificantes que nem sequer produzem significâncias nos DNAs.

quarta-feira, 6 de maio de 2009